Estratégia de Ação
O projeto visa produzir o embasamento técnico-científico para o
desenvolvimento do agronegócio aquícola em bases sustentáveis,
desenvolvendo e incorporando novas tecnologias e o uso eficiente dos
recursos naturais para as espécies selecionadas pela sua importância
econômica nacional e regional, como o camarão marinho, a tilápia, o
tambaqui e o pintado. Para alcançar esse objetivo maior, os principais
fatores limitantes/restritivos devem ser solucionados de uma forma
integrada e em rede, os quais envolvem aspectos ligados a melhoramento
genético, nutrição, sanidade, sistemas de manejo e gestão dos sistemas
produtivos e aproveitamento agroindustrial. O eixo central, a
princípio, deveria ser embasado nas linhagens melhoradas e sobre elas,
desenvolvidos os demais projetos componentes. Entretanto, como os
ciclos de vida das espécies consideradas são variáveis, de alguns meses
a alguns anos, nem sempre isso será possível, mas também não será
possível esperar as linhagens melhoradas das espécies nativas para se
iniciar a obtenção das informações e tecnologias necessárias ao
desenvolvimento sustentável da atividade. A Universidade Estadual de
Maringá, ao receber as tilápias melhoradas da Tailândia, recebeu também
o treinamento necessário para realizar as atividades de melhoramento,
de forma que será a instituição nucleadora, a partir do qual será
irradiada a tecnologia necessária para o melhoramento genético das
demais espécies selecionadas para as demais instituições parceiras,
Embrapa Meio Norte, UFMS, CPAA, Instituto de Tecnologia Agropecuária de
Maringá (ITAM) e EMATER-RO. Ao final dos quatro anos de projeto,
espera-se ter produzido quatro linhagens melhoradas de tilápia em ganho
de peso, quatro linhagens de camarão resistentes à mionecrose e o
primeiro banco de reprodutores selecionados de tambaqui e pintado para
melhoramento genético.
Nas questões ligadas a nutrição, as ações
serão desenvolvidas pelas instituições que possuem competência nas
espécies selecionadas: A FIPERJ, CPAO, CPATSA, CPAA, CPATU, CPATB, para
os peixes e para o camarão marinho, UFSC, UFPE, UFRPE, CPAMN E FIPERJ.
Em algumas destas atividades, considerando a importância dos alimentos
no sabor dos peixes produzidos, haverá testes sensoriais concomitantes,
a ser efetuado em conjunto com a ESALQ E INPA/Instituto. Nilton Lins.
Ao final espera-se a formulação de rações que atendam às exigências
nutricionais das espécies consideradas, bem como avanços na
incorporação de probióticos que propiciem melhor aproveitamento dos
nutrientes e reduzam a poluição ambiental.
No que tange à sanidade,
as ações para peixes serão realizados pelas instituições localizados no
nordeste, como UFRPE, UFRN, UFC, CNPMN e UFSC da região sul que possui
larga experiência com camarões e para os peixes pelo CPAO, UFDG e UFSC.
Naquelas interações existentes entre nutrição e sanidade, as equipes
desses dois projetos componentes estarão em sintonia e intercambiando
dados e resultados para uma melhor compreensão dessas interações. Ao
final espera-se a obtenção do diagnóstico e caracterização das
principais enfermidades que ocorrem nas produções aquícolas das
espécies selecionadas, bem como formas de controle e tratamento que
reduzam o uso de quimioterápicos e assegurem a produção de pescado mais
seguro e de qualidade. Deverá ser obtido ainda o estabelecimento de
metodologias adequadas que darão subsídios para formação de uma rede
nacional de laboratórios capacitados e/ou credenciados.
Sempre que
possível, as informações obtidas nos componentes de melhoramento,
nutrição e sanidade serão incorporadas para o componente de manejo e
gestao ambiental dos sistemas de produção, coordenado pela Embrapa Meio
Ambiente (CNPMA) e conduzido com a cooperação das demais Unidades da
Embrapa, líderes dos outros cinco projetos componentes, e suas
parceiras e também com as seguintes Instituições parceiras da Embrapa
Meio Ambiente: UNICAMP, Instituto de Pesca de São Paulo/APTA, Pólo
Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios do Leste
Paulista – PRTDA de Monte Alegre do Sul, SP e o PRDTA do Noroeste
Paulista-Votuporanga, com o Departamento de Descentralização e
Desenvolvimento (DDD)/SAA/SP, Piscicultura Santa Bárbara, UFSCAR,
FIOCRUZ, UFRJ, ESALQ/USP, UNESP/Botucatu, Centro de Estudos e Pesquisas
em Agronegócios da Universidade Federal do Rio Grande do Sul -
CEPAN-UFRGS, Mogiana Alimentos Ltda – GUABI, Auburn Universtiy,
USDA/ARS, WWF/USA e o Pond Dynamics Aquaculture Collaborative Research
Support Program - PD/A CRSP e com o PROCITROPICOS – Programa
Cooperativo de Investigación y Transferencia de Tecnologia para los
Trópicos Suramericanos. Ao final do projeto espera-se a obtenção de
metodologias e protocolos de pesquisa para análises de água,
sedimentos, antibióticos, hormônios, metais pesados, pesticidas, e para
a avaliação da comunidade bentônica, bem como métodos para a análise de
desempenho de cadeias aqüícolas, recomendações de BPMs para assegurar a
qualidade do pescado e a segurança ambiental da aqüicultura, e
instrumentos de gestão ambiental e ações de transferência de
tecnologias como subsídios à elaboração de políticas públicas e
estratégias empresariais. Certamente, espera-se que tais respostas
tragam sustentabilidade em todas as dimensões (sociais, econômicas,
ecológicas e de conhecimento) para a aqüicultura brasileira. Em resumo,
pretende-se obter: melhoria da qualidade dos efluentes dos sistemas de
produção aqüícola; reduzir os riscos de contaminação ambiental e dos
produtos aqüícolas; validar um indicador biológico de qualidade de água
e integridade dos ecossistemas aquáticos; e implantar um modelo
multiplicador para aumentar a competitividade e sustentabilidade dos
sistemas de produção aqüícola com base nas BPMs. A matéria prima,
obtida a partir dos planos de ação que se encadeiam nos projetos
componentes melhoramento genético, nutrição, sanidade e manejo e gestao
ambiental, será avaliada e caracterizada, para obtenção de produto
processado de qualidade, isento de off flavor, seguro e com qualidade
nutricional, para cada uma das espécies consideradas. O “Plano de Ação
para beneficiamento de tambaqui” será executado pela Instituição Nilton
Lins e pelo INPA, com a matéria prima proveniente de processos de
produção que contemplem qualidade de produção como sanidade e nutrição
e boas práticas de manejo, a cargo da Embrapa Amazônia Ocidental e
INPA. O “Plano de Ação para beneficiamento de pintado” será executado
pela Embrapa Pantanal, com matéria prima proveniente de pisciculturas
acompanhadas pela Embrapa Pantanal e Embrapa Agropecuária Oeste e o
“Plano de Ação para beneficiamento de tilápia”, pela Universidade
Estadual de Maringá, PR e pela ESALQ-USP, Escola Superior de
Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo, campus de
Piracicaba, SP, proveniente, sempre que possível, de pisciculturas
realizadas com tilápias melhoradas geneticamente, que contemplem
igualmente uma nutrição adequada, sanidade e Boas Práticas de Manejo
(BPM); e ainda contará com a colaboração e participação da Embrapa Meio
Ambiente, no que se refere as ações de pesquisa que poderão ser
conduzidas em parceria com a equipe e as instituições que compõem o PC
5 que trata de Manejo e Gestão Ambiental da Aqüicultura. O plano de
ação para beneficiamento do camarão será executado pela Embrapa Meio
Norte em parceria com a Embrapa Agroindústria Tropical e pela
ESALQ-USP. Os membros das equipes receberão treinamento durante o
período de 30 dias no INPA, localizado na cidade de Manaus para a
padronização da metodologia. A troca de informações sobre a
determinação dos resultados será contínua e estimulada pelo plano de
ação de gestão. Por trabalhar com o elo final da cadeia produtiva este
projeto componente polarizará os resultados à medida que estes estarão
sendo disponibilizados e assume a responsabilidade de transferir a
tecnologia aos parceiros dos projetos componentes, na forma de
workshops e cursos afim de capacitá-los para que atuem como
multiplicadores junto aos produtores e industriais. Esta etapa final
ficará a cargo do INPA, da ESALQ-USP e da Embrapa. Ao final do projeto,
espera-se a obtenção de ferramentas para rastreabilidade, o que será
desenvolvido envolvendo aspectos da determinação da qualidade
microbiológica e sanitária para o pescado in natura e produtos de
pescado significativos no agronegócio de diversas regiões do Brasil.
Serão também desenvolvidas tecnologias para aproveitamento dos atuais
resíduos de processamento para redução da poluição/degradação
ambiental, ao tempo em que se adiciona mais valor agregado à atividade
como, por exemplo, fertilizantes e produtos farmacêuticos a partir do
resíduo de beneficiamento do camarão, tecnologias para obtenção de
produtos como silagem, óleo e farinha a partir de tambaqui, pintado e
camarão. Neste aspecto haverá ainda um grande ganho através da
capacitação e treinamento de novos profisisonais na área, considerando
que é uma área com massa ccrítica muito reduzida.
Particularmente no
que tange ao melhoramento genético do pintado, há que se procurar uma
infra-estrutura adequada em termos de tanques para manutenção de
reprodutores, quer seja na Embrapa ou nas instituições parceiras.
Investimentos realizados via projetos pela SEAP, FINEP e CNPq tem
amenizado a deficiência de infra-estrutura, como na UFSC, e CPAO, mas
certamente ainda há carências a serem solucionadas. A recente
contratação de pesquisadores na área de aqüicultura pela Embrapa vem
amenizando a carência de competências na área. Há uma preocupação que
permeia todos os projetos componentes para que as informações e
tecnologias sejam validadas e transferidas ao setor produtivo. As
linhagens melhoradas serão transferidas imediatamente a produtores
selecionados para que produzam alevinos melhorados e serem distribuídos
imediatamente para engorda. A mesma metodologia será empregada para
linhagens de camarão resistentes a mionecrose. Muitas atividades de
manejo e gestão dos sistemas de produção serão realizadas com a
iniciativa privada, o que é um elemento facilitador para a tansferência
de informações e tecnologias produzidas. Deverão ainda ser utilizados
instrumentos como dias de campo tradicionais e na TV, cursos de
treinamento e capacitação, cartilhas, folderes e artigos
técnico-científicos e de divulgação na mídia

