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Projeto BIFEQUALI

Em 2004, 37,4% do Valor Bruto da Produção Agropecuária do Brasil foi representado pela pecuária, dos quais 44,5% pela carne bovina (CNA, 2005a). Cerca de 84,5% da carne bovina brasileira é consumida no País, mas a participação no mercado externo tem aumentado. Apesar disso, atualmente, produzir de forma eficiente e eficaz, disponibilizando para o mercado produtos de qualidade com preços acessíveis, tornou-se sinônimo de permanência no negócio. Dentre os fatores que determinam a qualidade da carne estão os atributos organolépticos e, dentre esses, a maciez é o mais valorizado pelo consumidor. Dos fatores ante-mortem que atuam sobre a maciez da carne pode-se destacar o genótipo do animal e, em razão do clima predominante no Brasil, os criatórios do País dedicam-se basicamente à criação de zebuínos que, reconhecidamente, produzem carne menos macia do que os taurinos. Embora a bovinocultura de corte no Brasil tenha se  modernizado nas últimas décadas, resultando em aumentos na produtividade e na competitividade, um aspecto importante ligado à eficiência dos sistemas de produção é a eficiência alimentar, característica não contemplada nos programas de avaliação genética de bovinos do País. Geneticamente, essas duas características, maciez da carne e eficiência alimentar, podem ser melhoradas por meio das duas estratégias do melhoramento animal, quais sejam, seleção e cruzamento. A primeira depende da quantificação da variação genética existente nas características nos rebanhos do País, podendo ser também assistida por marcadores moleculares, o que depende do mapeamento de QTLs (quantitative trait loci) e da prospecção de genes para as características. A segunda depende da definição de estratégias que possibilitem adequar tipo de animal e ambiente. Em função da importância da bovinocultura de corte para o País e da falta de informações existentes, justifica-se o desenvolvimento de pesquisas que visem atender às expectativas dos consumidores nacionais e internacionais, principalmente quanto à maciez da carne, e do produtor, quanto à eficiência alimentar. Assim, neste projeto propõe-se a avaliar alternativas de utilização de recursos genéticos visando à melhoria da eficiência alimentar dos animais e, principalmente, da qualidade da carne bovina produzida no Brasil. Os projetos que o compõem contemplam as duas estratégias básicas do melhoramento animal, quais sejam, seleção e cruzamento entre raças, utilizando as abordagens quantitativa e molecular. O projeto tem os objetivos de avaliar a existência de variação genética aditiva e identificar genes relacionados a características de qualidade da carne e de eficiência alimentar em bovinos de corte no Brasil, e avaliar o desempenho de cruzamentos envolvendo raças Bos taurus adaptadas visando à obtenção de animais que sejam produtivos, adaptados às condições tropicais e subtropicais, precoces e produtores de carne macia de boa qualidade. Concebido para funcionar em rede, visando à utilização racional dos recursos humanos e materiais, é constituído por dois projetos compostos por planos de ação e atividades envolvendo várias disciplinas, a serem desenvolvidos por parceiros e pelo CNPGC, em Campo Grande, MS, CPPSE, em São Carlos, SP, CPPSUL, em Bagé, RS, CPAMN, em Teresina, PI, CENARGEN, em Brasília, DF, CNPTIA, em Campinas, SP, ESALQ/USP, em Piracicaba, SP, IZ/SP, em Nova Odessa e Sertãozinho, SP, FCAV/UNESP, em Jaboticabal, SP e UESC, em Ilhéus, BA. O projeto gerará subsídios para o delineamento de programas de melhoramento genético da raça Nelore e fornecerá alternativas de utilização de recursos genéticos adaptados, visando à produção de carne de qualidade e à eficiência alimentar, com redução do ciclo de produção e do uso de produtos químicos no combate a parasitas.

 

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