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Impactos do CO2

A concentração de dióxido de carbono atmosférico vem aumentando significativamente, desde a Revolução Industrial, e há unanimidade de que esse aumento continuará por décadas, apesar dos esforços internacionais para redução das emissões. Além de constituir o principal gás de efeito estufa, o CO2 também pode causar impactos diretos nos agroecosssitemas. O aumento da concentração de CO2 resulta em benefícios para o desenvolvimento das plantas, pois há menor abertura de estômatos e, dessa forma, melhor aproveitamento da água na planta. Porém, há poucos trabalhos publicados sobre os efeitos do aumento do CO2 e suas consequências para a sanidade vegetal. Antes do Climapest, não havia informações na literatura nacional sobre o assunto.

Os estudos do efeito de gases devem ser realizados com métodos que permitam que somente a variável alvo seja alterada, enquanto as demais permanecem constantes. Esse tipo de experimento geralmente é dificultado pela inabilidade de criar um ambiente livre de artefatos introduzidos pelas estruturas e equipamentos necessários para expor o sistema alvo ao gás a ser testado. Por esse motivo, os estudos com gases estão deixando de ser conduzidos em câmaras ou estufas fechadas e altamente controladas. Testes conduzidos em ambientes controlados podem auxiliar na elucidação de efeitos isolados, mas, de modo geral, apresentam diversas limitações. Dentre as principais está a possibilidade de não haver correlação entre os resultados obtidos em ambientes fechados e em campo.

A busca de condições mais realísticas tem levado ao uso de estufas de topo aberto ("open-top chambers", OTC) ou do tipo FACE ("Free Air Carbon Dioxide Enrichment"). As OTCs são adequadas para estudos com aumento do teor de CO2 devido à possibilidade de conduzir ensaios em todos os estádios de desenvolvimento de plantas, com menor interferência de artefatos, exceto o plástico que altera parte da radiação solar e um pequeno aumento da temperatura que pode ser solucionado com instalação de sistema de refrigeração.

As plantas podem ser cultivadas diretamente no solo. Os testes em vasos devem ser evitados, pois podem prejudicar as avaliações devido à limitação do crescimento das raízes e à destruição da estrutura do solo. Além disso, a condução de experimentos em OTCs permite a obtenção de respostas ao gás em condições naturais que incluem as flutuações diárias e sazonais do clima. Porém, o método ideal de estudo são os ensaios FACE, onde há a liberação de CO2 em condições de campo, permitindo o estudo das respostas em agroecossistemas intactos. As parcelas experimentais são grandes e subparcelas podem ser utilizadas para melhor aproveitamento do ensaio.

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Objetivo geral

Avaliar os impactos do aumento da concentração de CO2 atmosférico sobre problemas fitossanitários e suas conseqüências para o agronegócio brasileiro.


Objetivos específicos

- Instalar experimento do tipo FACE e tipo OTC; e

- Avaliar os impactos do aumento da concentração de CO2 sobre os problemas fitossanitários de: espécies florestais, maçã, pêssego, soja, uva, milho, algodão, mamona, forragicultura, café, mandioca e banana.

 

A instalação dos experimentos com estufas de topo aberto e do FACE permitiu a realização de trabalhos interdisciplinares com diversas culturas, por meio da avaliação da morfologia e fisiologia de plantas, produtividade, nutrição, microbiota, assim como de problemas fitossanitários. Além disso, permitiu a comparação com informações obtidas em outros Países. Todos os ensaios foram realizados em condições de campo, obtendo resultados mais realísticos do que os trabalhos conduzidos em condições de laboratório.

A execução do PC-CO2 permitiu, além da obtenção de informações sobre impactos do aumento da concentração atmosférica de CO2 sobre plantas, doenças, insetos pragas e inimigos naturais, e plantas daninhas, o estabelecimento de infraestrutura adequada para a realização de pesquisa com aplicação de CO2 e simulação de condições climáticas futuras, o que possibilitará a continuidade e o aprofundamento desses estudos, através de novos projetos. Além disso, permitiu a instalação de OTCs em diferentes regiões do País e do FACE, capacitando as equipes para gerar resultados sobre os impactos do aumento da concentração de CO2 sobre problemas fitossanitários. Esses resultados são fundamentais para a elaboração de medidas de adaptação. De maneira geral, os desdobramentos devem contemplar o estudo do aumento da concentração de CO2 do ar associado à alteração de outras variáveis do ambiente, como temperatura e precipitação.